Um dia antes do Dia Mundial dos Refugiados, órgão da ONU anuncia números impactantes sobre a quantidade de deslocamentos forçados no mundo.
Quinta-feira passada (20), foi comemorado o Dia Mundial dos Refugiados, uma data dedicada à conscientização sobre a situação de milhares de pessoas que foram forçadas a deixar suas casas e seus países por todo o mundo. Foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000, através da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Um dos seus principais objetivos é promover a discussão entre a sociedade e os governos a ideia de solidariedade, respeito e responsabilidade que as nações devem ter com os povos refugiados.
Quinta-feira passada (20), foi comemorado o Dia Mundial dos Refugiados, uma data dedicada à conscientização sobre a situação de milhares de pessoas que foram forçadas a deixar suas casas e seus países por todo o mundo. Foi criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2000, através da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR). Um dos seus principais objetivos é promover a discussão entre a sociedade e os governos a ideia de solidariedade, respeito e responsabilidade que as nações devem ter com os povos refugiados.
Segundo dados divulgados na quarta-feira (19), pela ACNUR em seu relatório anual "Tendências Globais", o número de deslocamentos forçados superou, em 2018, a marca de 70 milhões. Esse é o maior nível registrado pela organização desde sua criação, em 1950. O número apresenta um aumento de 2,3 milhões em comparação com 2017, se aproxima das populações de países como Tailândia e Turquia equivale ao dobro de deslocamentos registrados 20 anos atrás.
Os 70,8 milhões de deslocamentos forçados no mundo ainda são uma estimativa conservadora, principalmente porque o número reflete parcialmente a crise na Venezuela. Cerca de 4 milhões de venezuelanos deixaram seu país desde 2015, sendo essa uma das mais recentes e maiores crises de deslocamento forçado do planeta. Embora a maioria dessa população necessite de proteção internacional para refugiados, apenas meio milhão tomou a decisão de solicitar refúgio formalmente.
O ACNUR estima ainda que, no ano passado, 13,6 milhões de pessoas se deslocaram devido a conflitos e perseguições. Isso significa que em 2018, a cada dia, 37 mil pessoas tiveram que abandonar o lugar onde moravam para buscar uma vida com segurança. Nesse mesmo grupo também estão incluídos aqueles que já estavam em situação de deslocamento forçado e, por isso, não entram no cálculo do aumento líquido de deslocados forçados — cerca de 2,3 milhões.
O ACNUR estima ainda que, no ano passado, 13,6 milhões de pessoas se deslocaram devido a conflitos e perseguições. Isso significa que em 2018, a cada dia, 37 mil pessoas tiveram que abandonar o lugar onde moravam para buscar uma vida com segurança. Nesse mesmo grupo também estão incluídos aqueles que já estavam em situação de deslocamento forçado e, por isso, não entram no cálculo do aumento líquido de deslocados forçados — cerca de 2,3 milhões.
“O que os dados revelam é uma tendência de crescimento no longo prazo do número de pessoas que necessitam de proteção por causa de guerras, conflitos e perseguições. Se a linguagem sobre refugiados e migrantes é frequentemente sectarista, também testemunhamos uma imensa onda de generosidade e solidariedade, vinda especialmente das comunidades que acolhem refugiados”, afirmou o alto-comissário das Nações Unidas para Refugiados, Filippo Grandi.
O chefe do ACNUR disse ainda que “precisamos agir a partir destes exemplos positivos e redobrar nossa solidariedade com aqueles milhares de inocentes que são forçados a saírem de suas casas todos os dias”.
Entre os 70,8 milhões de deslocados forçados, existem três grupos. O primeiro é de refugiados, ou seja, pessoas que são forçadas a sair de seus países por conta de conflitos, guerras ou perseguições. Em 2018, o número de refugiados chegou a 25,9 milhões em todo o mundo, 500 mil pessoas a mais do que em 2017. No cálculo também estão incluídos os 5,5 milhões de refugiados palestinos sob o mandato da Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA).
De acordo com a publicação do ACNUR, mais de dois terços de todos os refugiados vêm de apenas cinco países:
- Síria — 6,7 milhões;
- Afeganistão — 2,7 milhões;
- Sudão do Sul — 2,3 milhões;
- Mianmar — 1,1 milhão;
- Somália — 900 mil.
Segundo o ACNUR, aproximadamente quatro em cada cinco refugiados vivem em países vizinhos às suas nações de origem. O órgão aponta ainda que metade da população global de refugiados é composta de menos de 18 anos de idade. Das crianças e adolescentes analisados pelo relatório, 138,6 mil estavam desacompanhados ou haviam sido separados dos seus responsáveis. O número se divide em 111 mil meninos e meninas considerados refugiados em 2018 e 27,6 mil que solicitaram asilo individualmente ao longo do ano passado.
O segundo grupo documentado pelo relatório é o de solicitantes de refúgio – pessoas que estão fora de seus países de origem e que estão recebendo proteção internacional enquanto aguardam a decisão sobre os seus pedidos de refúgio. Até o final de 2018, havia 3,5 milhões de solicitantes de refúgio no mundo.
O terceiro e maior grupo é composto por 41,3 milhões de pessoas que foram forçadas a sair de suas casas, mas permaneceram dentro de seus próprios países. Normalmente, são chamados de deslocados internos, ou IDPs, na sigla em inglês.
Em geral, o crescimento do descolamento forçado acontece num ritmo maior que o das soluções encontradas para as pessoas forçadas a migrar. Para os refugiados, a melhor solução continua sendo retornar para sua casa voluntariamente, com segurança e dignidade. Outras soluções incluem a integração nas comunidades de acolhida ou o reassentamento em um terceiro país.
A Agência da ONU para Refugiados, na busca de garantir melhores condições para esses refugiados, criou a petição #ComOsRefugiados, que pede aos governos globais que todas as crianças refugiadas tenham acesso à educação, que todas as famílias refugiadas tenham um local seguro para viver e que todos os refugiados possam trabalhar e adquirir conhecimentos que contribuam para suas comunidades.